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UFPI integra estudo sobre peixe que viveu há 280 milhões de anos

Fósseis foram encontrados em Nazária e permitem conhecer praticamente todo o esqueleto do animal.

Redação
Por: Redação Fonte: UFPI
12/09/2026 às 16h41
UFPI integra estudo sobre peixe que viveu há 280 milhões de anos
Peixe de 280 milhões de anos é descoberto no Piauí em pesquisa com participação da UFPI | Imagem de nova espécie de peixe descoberta a partir de fóssil em Nazária (PI)

Uma nova espécie de peixe que viveu há aproximadamente 280 milhões de anos foi identificada por uma equipe internacional de pesquisadores a partir de fósseis encontrados em Nazária, no Sul do Piauí. Batizada de Nazaria limnica, a espécie viveu durante o Período Permiano, quando a região apresentava um ambiente completamente diferente do atual. O estudo contou com a participação do professor Juan Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), e foi publicado na revista internacional Journal of Vertebrate Palaeontology.

Os fósseis foram encontrados no mesmo dia, em março de 2018, durante uma expedição paleontológica no município. Um dos exemplares preservou o crânio e parte do tronco, enquanto o segundo apresenta outra parte do tronco e a cauda. Juntos, os materiais permitiram aos pesquisadores conhecer praticamente todo o esqueleto do animal, que tinha cerca de 20 centímetros de comprimento.

“O estudo precisou de trabalhos de limpeza e conservação nos dois fósseis encontrados. Isso foi feito no Laboratório de Paleontologia do CCN”, explicou Juan Cisneros.

Professor Juan Cisneros

Após a preparação dos fósseis, os pesquisadores fizeram comparações com exemplares de peixes preservados em museus do Brasil e de outros países. Também foram produzidos desenhos técnicos para identificar os ossos presentes nos materiais. A equipe realizou ainda análises para compreender as relações evolutivas da nova espécie com outros peixes extintos, utilizando o software TNT.

“Depois foram realizadas comparações com fósseis de peixes em outros museus do Brasil e do exterior. Foram elaborados desenhos técnicos com a identificação de cada osso presente nos fósseis”, afirmou o professor.

Peixe vivia em antigo lago que existia no Piauí

Além de revelar uma espécie até então desconhecida pela ciência, os fósseis ajudam a reconstruir o ambiente existente no território piauiense há milhões de anos. Durante o Permiano, Nazária fazia parte de uma região dominada por um grande lago alcalino, onde diferentes organismos integravam uma complexa cadeia alimentar.

O Nazaria limnica era um peixe ósseo de pequeno porte que se alimentava de pequenos crustáceos encontrados no fundo do lago. Ao mesmo tempo, fazia parte da alimentação de predadores maiores. O nome científico faz referência ao local da descoberta: Nazaria homenageia o município onde os fósseis foram encontrados, enquanto limnica está relacionado a lago.

A idade estimada do animal é semelhante à dos registros da Floresta Fóssil do Rio Poti, em Teresina. A descoberta, portanto, acrescenta uma nova peça ao cenário pré-histórico do estado, ajudando a mostrar não apenas a vegetação, mas também os animais que habitavam os ambientes aquáticos da região.

Fósseis permanecem no Piauí

Os dois fósseis utilizados para a descrição da nova espécie permanecem no estado e integram atualmente a coleção científica do Museu de Arqueologia e Paleontologia da UFPI. Para o professor Juan Cisneros, a permanência do material na universidade contribui para a preservação do patrimônio paleontológico e permite que os exemplares continuem sendo estudados.

“A preservação dos exemplares na Universidade contribui para a manutenção do patrimônio paleontológico do Estado e permite que o material continue disponível para novas pesquisas”, destacou Cisneros.

O pesquisador também avalia que a descoberta amplia o conhecimento sobre a história natural do Piauí e sobre os ambientes que existiam no território durante a Era Paleozoica.

“A descoberta de Nazaria limnica acrescenta um novo registro à história da vida no Piauí e reforça a importância das pesquisas paleontológicas para a compreensão dos ambientes que existiram no território há centenas de milhões de anos”, concluiu.

A pesquisa recebeu apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Prefeitura Municipal de Nazária.

 

 

 

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